Ele é assim meio desligado, meio ligado demais. Ele é doce como um pote de mel cheio de abelhas em volta tentando desenroscar a tampa. ainda não aprendi a dizer não pra ele, aqueles olhos um diferente do outro, apertadinhos e espertos me deixaram apaixonada desde o primeiro momento. ele tem as mãos mais macias que minha pele já sonhou, e como adoro mãos.Ele, á pesar de tudo, consegue me irritar como ninguém! me faz descer do salto legal, daquelas descidas inimagináveis e sem sentido, só com ele eu discuto o mesmo assunto por três horas seguidas, tudo regado a lágrimas, alterações e risadas irônicas, pra depois assistir o por do sol da varanda agarradinha nele.. vai entender.. Eu ainda não percebi o que causa tudo isso, se é o medo de não sentir mais o cheiro do seu cabelo no travesseiro ou uma teia gigante que cerca nossa vida e nos deixa sem saída alguma, voltando sempre, invariavelmente para os braços um do outro.. Nunca acreditei em amor romântico, ou nunca quis acreditar, porque sei das dores, sei do mal estar físico e nítido de uma nescessidade tão urgente quanto o mp3 na minha viagem em ônibus lotados. Na verdade ainda não sei lidar muito bem com toda essa tempestade de bem querer, de nenhuma das partes. daí vem o ciúme, o trocar tudo pela presença do outro, os domingos embaixo do lençol.. é, tem seu lado bom também e talvez por isso eu esteja nessa.E não tem jeito, não aguentamos a distância, a falta da voz querida do outro pra reconfortar a tarde, os passeios de sábado, os beijos tão repletos de carinho e urgência que tiram o fôlego..Sei que ele sempre será o passarinho que pousa na minha janela pedindo abrigo da chuva, pra voltar depois num dia mais florido, pra me trazer um sorriso dentro do seu canto tão sutil.
Estou tentando aceitar. Tentando aprender a viver com a ausência e a distancia.
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